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Dentro de poucos meses o Brasil deverá se tornar a cobaia global do arroz transgênico.

O herbicida a ser aplicado no arroz da alemã Bayer já está com data marcada para sair do mercado europeu por ser considerado reprotóxico, com alto risco para mamíferos.

Esta semana foi realizada em Brasília uma mesa redonda sobre o arroz transgênico Liberty link, resistente ao herbicida glufosinato de amônio. Para isso a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio convidou cinco palestrantes, dos quais quatro defenderam a liberação do produto.

A voz destoante foi a de João Wolkman, agrônomo e produtor orgânico do Rio Grande do Sul, que produz, beneficia e vende dentro e fora do país arroz com certificação biodinâmica. O segundo produtor convidado, Alfredo Rogério Martini, cultiva 2,7 mil hectares na região da fronteira oeste gaúcha. Sua posição vai de encontro à visão das representações dos arrozeiros e grandes produtores do estado, como Federarroz e Farsul, que são contrárias à liberação do produto por receio de perder mercados.

Além do representante da empresa interessada, falaram dois pesquisadores que realizam pesquisas com o arroz transgênico em questão, José Alberto Noldin, da Epagri – empresa catarinense de pesquisa agropecuária, e Ariano Matias de Magalhães Júnior, da Embrapa Clima Temperado.

Com o evento, a CTNBio procurou enterrar os questionamentos e críticas apresentadas pouco mais de um ano atrás em audiência pública, inclusive o posicionamento oficial da Embrapa, contrário à liberação da semente da Bayer.

A tônica das apresentações foi no sentido de minimizar o problema da contaminação, que parecia ser o único fiapo de dúvida que poderia eventualmente incomodar a Comissão. Deixando-se de lado a migração de sementes pela água de irrigação entre áreas diferentes, o problema foi reduzido à distância que o pólen do arroz pode viajar entre uma planta e outra. Como o arroz é planta de auto-fecundação predominante, foi dito que 3 metros são suficientes para isolar o arroz transgênico dos demais.

Quando questionado sobre as condenações judiciais que já fizeram a Bayer desembolsar mais de 4,5 milhões de dólares nos Estados Unidos por ter contaminado a cadeia de produção do cereal e prejudicado milhares de produtores, André Abreu, da Bayer, afirmou que o problema não está na contaminação, mas sim no fato de ela não estar prevista e regulamentada pelas leis de biossegurança. Na visão da maior empresa de venenos agrícolas do mundo, enquanto permanecer um regime de intolerância (sic) em relação à contaminação, problemas como esse continuarão acontecendo.

Olhando-se por outro lado, está mais uma vez dito preto no branco que a liberação de qualquer transgênico significa que a cadeia agroalimentar será contaminada e que estaremos todos obrigados a comer transgênicos que não queremos. Com o arroz nosso de cada de dia não será diferente.

Deve-se lembrar que a comissão setorial de saúde da CTNBio já aprovou o pedido em dezembro de 2009. Ontem a presidência da Comissão pediu para junho os pareceres dos demais relatores do processo.

Com esses documentos em mãos o assunto poderá ser votado e o resultado já é certo. Bom apetite!

p.s.1 – Curiosamente, cinco seguranças vigiaram o evento, sendo três nas entradas do auditório e dois localizados ao lado da mesa com os palestrantes.

p.s.2 – O Coordenador da CTNBio, que é réu em processo por crime ambiental, disse à AS-PTA que só nos remeterá as respostas da Bayer aos questionamentos apresentados na audiência pública de março de 2009 quando ele quiser, e que o acesso a informações da CTNBio funciona assim.

Fonte: Boletim AS-PTA


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